A alegria de sermos quem somos

Já dissemos várias vezes, em nosso programa, o quanto a nossa região é importante na formação de nossa sociedade, de Pernambuco e do Brasil. Aqui nossos antepassados deram os primeiros passos para invenção de uma sociedade que ainda continuamos a construir. Os passos realizados no passado e os que damos hoje mantém a relação e, muitas vezes não nos damos conta disso. É preciso estarmos sempre olhando o que nos rodeia, de modo que poderemos encontrar pistas sobre o nosso passado.

Somos um povo formado por muitos povos. Caeté, Tupinabá, Aimoré, Tabajara, Canidé, e muitos outros. São os nosso antepassados que viviam aqui antes que os europeus chegassem com suas Igaras enormes, suas igarassu, suas canoas grandes. Esses europeus, portugueses, espanhóis, franceses, holandeses, alemães, ingleses também são nossos antepassados. E também vieram os judeus, os turcos os ciganos, japoneses, chineses, coreanos, todos esses povos e muitos outros que formaram o Brasil e os brasileiros. Os europeus trouxeram a cana de açúcar, a jaca, o coco e também trouxeram os africanos para fazer o trabalho pesado nas plantações de cana de açúcar, na produção do açúcar. Esses africanos também são nossos antepassados. Por tudo isso é que somos um povo mestiço. Se olharmos bem nos nossos rostos, na nossa pele, logo entendemos que somos mestiços fisicamente, embora alguns sejam mais brancos, outros mais negros, outros mais agenipapados. Mas somos sararás, mulatos, acaboclados, morenos, também em nossas crenças. Nossas religiões têm um pouco de todas as outras. E isso faz da cultura brasileira uma das mais lindas e diversas do mundo. São muitos os povos que nos “invejam”, que desejam ter uma sociedade como a nossa que tem criado um meio de conviver com tantas diferenças, embora nem tudo tenha sido um mar de rosas sem espinhos e nem tudo funcione perfeitamente.
Mas é bonito o nosso povo que vai para a igreja católica assistir sua missa e na volta encontra o seu vizinho que veio do culto de sua igreja evangélica, ou aquele outro que saiu de um terreiro de Jurema, ou de uma sessão espírita, ou de um toque de xangô. Claro que vez em quando tem uma problema, mas não é comum. Por isso é que este Programa Que História é Essa celebra com a alegria essa diversidade que herdamos, com sofrimentos e com alegrias, dos nossos antepassados. Continuamos a sua obra de criar um povo formado por muitas raças e muitas tradições culturais e religiosas. Assim crescemos em nossa Consciência de negros, consciência de índios, consciência de brancos, consciência de Mestiços.
Ser um povo de mestiços, um povo que recebe, respeita e pratica muitas tradições faz de nós um Monumento da Cultura Universal. Como diz o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro: VIVA O POVO BRASILEIRO, VIVA O POVO DA MATA NORTE, patrimônio da humanidade.
Texto escrito por Severino Vicente da Silva

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