CLUBE DOS LENHADORES DE GOIANA

No início da rua Gravatá, na cidade de Goiana, ali, bem próximo do SESI há um casa que tem um letreiro informando que estamos diante na sede do Clube Lenhadores de Goiana. Quem toma conta dessa agremiação é dona Maria de Lourdes. Ela nasceu em janeiro de 1938 e, desde os quatro anos de idade que desfila no Clube de Lenhadores de Goiana.

Embora seu pai, João Correia de Melo tenha estado no clube desde a sua fundação, no ano de 1935, ele não foi o fundador do Clube dos Lenhadores. Dona Lourdinha conta que o fundador veio do Recife, onde, nos carnavais, desfilava no Clube dos Lenhadores do Recife. Era José Francelino da Silva, um moreno forte e muito animado. Quando saiu do Recife foi morar primeiro em Tejucupapo, mas depois mudou-se para uma casa perto da Prefeitura, no Beco do Pavão. Durante anos ali foi a sede do Lenhadores. Depois dele, presidiram o Clube dos Lenhadores o senhor Vanberto e o professor Everaldo. Depois da morte do professor Everaldo, ocorrida em 1991 o clube passou momentos difíceis e em 1992 e 1993 o clube não saiu. Mas em 1993, Dona Lourdinha assumiu a presidência do Clube e, como ela diz: “enquanto viver os Lenhadores estarão desfilando nas ruas de Goiana”.

O desfile do Lenhadores acontecia, como ainda acontece, da seguinte maneira: No domingo de Carnaval, à tarde, saiam os homens com machadas, símbolos da profissão, formavam duas colunas de seis, faziam evoluções enquanto as mulheres, também faziam evoluções com buquês em suas mãos, sempre saudando a multidão. Esses buquês era para lembrar a difícil vida dos lenhadores. Eles cortavam lenha nas matas para vender, pois ela era usada nas padarias, nas casas, nos engenhos, nas máquinas para as fabriquetas que havia na cidade. Mas às vezes, os lenhadores não recebiam o dinheiro e, para não chegar em casa com as mãos vazias, eles juntavam flores do campo e as entregavam às suas mulheres que dessa forma sabiam que a vida ia ficar um pouco mais difícil. Hoje não tem mais matas e as pessoas esqueceram que antes havia essa profissão na nossa região. Mas o desfile do clube dos Lenhadores de Goiana nos lembra essa parte da história.

Desde o primeiro desfile foi a Saboeira que tocava os frevos para a apresentação do Clube dos Lenhadores. A música é sempre o frevo rasgado, frevo de rua, mas os componentes do desfile não faziam passo, apenas cumprimentavam as pessoas que vinham ver o desfile. E todos vestiam fantasias e tudo foi sempre bonito.

Ultimamente tem sido difícil o Clube dos Lenhadores sair, pois os jovens estão pouco interessados nessa brincadeira, tudo tem que ser pago e ninguém mais ajuda com o Livro de Ouro, porque, dizem, a prefeitura diz que ajuda a cultura. “Ninguém sai mais por amor ao clube, só sai se receber dinheiro”, diz dona Lourdinha, e nem sempre tem o dinheiro para pagar os desfilantes ou a orquestra. Este ano o Clube saiu graças ao apoio da Curica, a mais antiga banda da América Latina em funcionamento, que tocou pela alegria da festa.

Dona Maria de Lourdes, com o apoio de algumas pessoas continua a manter um patrimônio da Cultura de Goiana, o Clube de Lenhadores, 77 anos de tradição, história e alegria que emociona.

 

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva


[1] Texto escrito a partir de uma conversa com Dona Maria de Lourdes Correia de Oliveira no dia 3 de novembro de 2012

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