O Convento do Carmo e os Carmelitas em Goiana

Um dos monumentos históricos de Goiana é o conjunto carmelita formado pelo Convento de Santo Alberto, a Igreja da Ordem terceira do Carmo e o Cruzeiro. Esse foi um dos primeiros monumentos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Brasileiro. Hoje conversaremos sobre os passos iniciais da construção desse  monumento.

O primeiro convento dos carmelitas no Brasil foi o de Olinda, em 1583. Os moradores de Goiana solicitaram que os carmelitas estabelecessem moradia em sua cidade. Em 14 de janeiro de 1666, o Cabido da Igreja Catedral da Bahia concedeu licença ao Vigário Provincial dos Carmelitas no Brasil, Padre Frei Alberto do Espírito Santo para construir um convento de sua ordem na Vila de Goiana em Pernambuco, já tendo conseguido antes as licenças do Vigário da Vila de Goiana e do provisor do Bispado da Capitania.

A decisão de levantar o novo templo de Carmelitas, veio atender aos apelos do povo, por não existir na cidade vila nenhum outro templo religioso que pudesse ajudar na consolação dos fieis e instrução dos naturais da terra, visto a distância que Goiana se encontrava de Olinda, desejando, por isso criar condições para que pudesse celebrar os ofícios religiosos, especialmente as grandes festas em sua própria localidade.

A solenidade de assentamento da pedra fundamental foi no dia 1 de novembro de 1666, pelo general André Vidal de Negreiros, que teve fundamental importância na construção desse templo, em terreno doado pelo Capitão Mor Felipe Cavalcanti de Albuquerque.

Destinado à recoleta da vigararia da Ordem Carmelitana, sob a invocação de Santo Alberto, o primeiro convento foi modestamente construído com paredes de taipa, com apenas duas celas e uma pequena capela.

Em 1679, o então Pior Padre Frei Marcos de Santa Maria, iniciou obras para um novo Convento e Igreja, com construção mais sólida de pedra e cal. A pedra fundamental dessa nova construção foi lançada em 28 de dezembro daquele mesmo ano, pelo mesmo General André Vidal de Negreiros, que em testamento feito em 9 de janeiro de 1680, deixou para as obras do respectivo templo a doação de cento e vinte arrobas de açúcar branco, por um período de oito anos.

Dispondo apenas da ajuda dos habitantes da região, o Padre Frei Manoel da Assunção, Vigário Prior do Convento do Carmo de Goiana, unindo-se a outros religiosos do referido templo, solicitaram em 13 de outubro de 1681, ao Estado Português, ajuda financeira para conservação e sustentação dos ditos frades e templo religioso. Argumentando os carmelitas que outros conventos da região de Pernambuco e Paraíba recebiam ordinária para o sustento dos religiosos.

O Conselho Ultramarino, antes de atender à solicitação dos religiosos, pediu informações sobre as atividades desenvolvidas pelos frades na Vila de Goiana ao Provedor da Fazenda de Pernambuco, João do Rêgo Barros. O dito provedor comunicou ao EL-Rei que os Carmelitas cumpriam importante papel na constituição da comunidade goianense, ensinando gramática e filosofia aos seus moradores e estudando teologia com o objetivo de preparar a todos que desejassem trabalhar em favor da Ordem Carmelitana. Como as Ordens Religiosas participavam também desse processo educacional, alegavam constantemente a necessidade de aumentar e conservar as estruturas dos seus devidos espaços físicos que eram usados como lugares de ensino.

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

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