FINAL DE ANO É TEMPO DE REVISÃO E ESPERANÇA NA MATA DE PERNAMBUCO

Vivemos em uma região que é composta de 43 municípios formam o que conhecemos como Região da Zona da Mata Norte. É uma região de grande potencial, pois tem recursos naturais disponíveis, está em torno da região Metropolitana do Recife com razoável infraestrutura que nos liga a portos e a aeroportos além de termos um belo contingente de mão de obra, como uma população de 1. 132.544 habitantes, sendo que 62% vive em área urbana. Mas sofremos a concentração da monocultura canavieira.

O Setor Canavieiro de Pernambuco não conseguiu estabelecer um processo de desenvolvimento dinâmico como o ocorrido em São Paulo. Por razões históricas continuamos a cultivar tradições de raízes coloniais que remontam ao Século XVI; a terra continuou nas mãos da oligarquia latifundiária, que a usa  como base de poder. O monopólio da terra garantiu a monocultura canavieira e inibiu o surgimento de outras atividades econômicas, gerando problemas estruturais, tias como: desemprego (estrutural e sazonal) e subemprego, déficits sociais elevados e a degradação do meio natural.

Esta situação foi ampliada e fortalecida com a implantação do PROALCOOL, programa do Governo Federal, na década de 70, que ampliou a plantação de cana em áreas de solos e relevo não adequados à cultura, agravando as dificuldades crônicas de baixa produtividade agrícola aliada ao atraso tecnológico, talvez aguçado pelas políticas paternalistas adotadas a partir da década de 30.

O PROALCOOL promoveu a drástica redução das pequenas áreas exploradas com culturas alimentares (mandioca, inhame, batata-doce, feijão e milho), e algumas espécies frutíferas.

Por outro lado o baixo índice de educação formal e a pequena participação política, agregada à ideia de que a região tem por vocação econômica a manutenção da monocultura afeta as nossas potencialidades. Essa crença tem levado a nossa região a ser o local de maior concentração e pobreza do Estado, com péssimos índices de qualidade de vida população, com enormes déficits em educação, saúde ,habitação e saneamento.

São essas condições que expulsam os nossos jovens, levados a procurar melhores condições de estudo vida. Estudo realizado pela Universidade Católica de Pernambuco aponta que a migração continua entre os mais jovens, principalmente. A preferência ainda é pela cidade grande. De acordo com esse estudo, informações das escolas agrícolas da Mata Meridional indicam que:

… os jovens que se profissionalizam nas cidades apresentam o seguinte perfil: 10% voltam para aplicar o que aprenderam nas propriedades rurais dos próprios pais; cerca de 30% ficam na cidade à procura de oportunidades, de concursos da prefeitura, de um contrato numa escola ou emprego no comércio local; os outros, 60%, quando terminam o curso, vão fazer vestibular na capital e lá se fixam, procurando, na capital ou em outra cidade próxima, uma profissão que melhor remunere seu trabalho e dificilmente voltam. Nesse sentido, é bom notar que vem ocorrendo um esvaziamento de quadros qualificados que poderiam ajudar nas modificações estruturais da região.

Assim é que vemos com alegria a formação de agentes e produtores culturais em nossa Mata Norte, esses jovens apontam que, nas condições mais desfavoráveis, continuamos a construir a cultura que vem de nossas raízes de trabalhadores rurais, como o Maracatu de Baque solto, o Cavalo Marinho, a Ciranda, o Coco de Roda, o Coco de Embolada, e tantas outras manifestações de nossa  criatividade.

Bibliografia: http://www.ancora.org.br/textos/011_jansen-mafra.html

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

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