AS IGREJAS DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS: MONUMENTOS DA RELIGIOSIDADE DE NOSSOS PAIS

Somos um povo de muitas tradições e, nossa cultura é marcada por várias expressões religiosas. A que mais tem marcado presença em nossas cidades é, sem dúvida a tradição religiosa cristã, a católica e as reformadas. Além dessas que nos vieram da Europa e dos Estados Unidos da América, nosso povo cultiva tradições religiosas herdadas de nossos pais indígenas, como a Jurema, e as tradições que vieram da África, como é o caso do Xangô.

Salto aos olhos das pessoas que visitam nossas cidades a quantidade de templos cristãos, sejam católicos ou reformados, esses estão bem à vista enquanto os locais sagrados da Jurema e do Xangô ficam mais reservados e distantes do centro de nossas cidades. No período em que os portugueses governavam nossa terra, alguns templos católicos eram construídos fora dos limites da cidade. Hoje não percebemos essa situação porque com o crescimento urbano essas igrejas foram incorporadas ao espaço urbano comum. Como no período de dominação portuguesa a sociedade estava dividida entre homens livres e homens escravizados, apesar de todos serem cristãos, a igreja principal da cidade era frequentada pelas pessoas da elite econômica, quase sempre senhores dos Engenhos. Esse templo era a Igreja matriz, que ficava no centro da cidade e estava dedicada ao santo ou santa protetora da cidade.

Nas cidades sempre havia um grupo social que se dedicava aos comércio e, quase sempre eram mestiços, e construíram seu próprio templo, a Igreja dos Homens Pardos, sob a proteção de Nossa Sem hora dos Homens Pardos.

Mas havia,  ainda, os escravos. É um erro pensar que os escravos viviam apenas nos engenhos, plantando, cortando cana ou pondo o engenho para fazer açúcar. Nas cidades, além dos escravos que faziam os serviços da casa havia os escravos de ganho, ou seja, escravos de aluguel que prestavam serviços como levar água para as casas, retirar as imundícies das residências, vender produtos nas ruas, etc. Esses escravos se organizavam em irmandades religiosas e construíam também a sua igreja, fora do limite da cidade, ou em lugar secundário e pouco visível e eram amis simples que as demais.

Quase sempre as igrejas dos escravos tinha como patrono Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Mas esses homens tinham outras devoções como São Benedito, Santo Antonio do Categeró, Santa Ifigênia, o Santo Rei Baltazar. Muitos negros dedicavam-se à pesca, por isso tinham devoção a São Pedro e a São Gonçalo do Amarante. Uma atividade que foi muito comum para os negros libertos foi a música, por isso é que, nas igrejas do Rosário do Homens Pretos,  encontramos imagens de Santa Cecília, padroeira dos músicos.

No programa de hoje, queremos lembrar que na Mata Norte, nas regiões de mais antiga colonização, há Igrejas do Rosário dos Homens Pretos: em Tupaoca, Aliança; em Goiana, em  Vila Velha,  Itamaracá; em Paudalho; e  Igarassu. Esses templos são Monumentos da Nossa Memória, e nos fazem lembrar as muitas maneiras de nos comunicarmos com o Divino.

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

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