ZÉ DO CARMO, PATRIMÔNIO VIVO DA CULTURA PERNAMBUCANA

Zé do Carmo é um dos  artesãos mais conhecidos da cidade de Goiana.  Sua mãe, Isabel da Assunção, que  era artesã em Igarassu, conheceu Manoel de Souza e os dois se apaixonaram. Depois que os pais de Isabel reprovaram o romance, o casal resolveu aportar em Goiana, cidade conhecida pelo rico trabalho em cerâmica e cestania. Lá se uniram e deram a luz à Ze do Carmo.

José do Carmo começou a moldar o barro em 1939, ainda menino, nos fundos da Igreja da Santa Casa da Misericórdia, onde ficava o Abrigo dos Desvalidos.

Zé do Carmo iniciou suas artes em barro com a finalidade de ajudar no sustento da família. Quase, intuitivamente surgiram figurinhas adotadas como brinquedos e paliteiros vendidos na feira. Habilidoso e com muito talento na reprodução de fisionomia, José do Carmo passou a inventar as imagens com  tipos populares no Nordeste, começando pelo pavão até chegar às figuras de caboclos, que o tornaram famoso e comercialmente bem sucedido, embora atraísse críticas de estudiosos mais eruditos que o consideram excessivamente realista, “um acadêmico popular”.

Em 1978, ele criou inúmeras figuras, entre pretos velhos, pescadores, lavradores, santos e outros personagens ligados ao cotidiano de sua realidade e à religião. Foi então que lhe nasceu uma ideia: transformar o seu povo em anjos, essa ideia iria colocar a sua arte numa dimensão maior.

Quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil em 1979, foi-lhe pedido que confeccionasse um de seus anjos para Arquidiocese de Olinda e Recife presenteasse à Sua Santidade. Fez um “anjo cangaceiro”, com timão de beato e a todos os paramentos de Lampião. A representação causou muita polemica e o papa não recebeu o presente.

Esfuziante, como é de seu temperamento e por acreditar no que faz, o ceramista Zé do Carmo modela agora anjos. Anjos brasileiros, mestiços, de cabelos encaracolados, nordestinos “Anjos com cara de gente”.

Aos anjos brasileiros de Zé do Carmo convém o uso do barro escuro, enegrecido, que lhes dá um aspecto de objeto antigo, material colhido em áreas pantanosas do município de Goiana.

Em 1982 Zé do Carmo criou o Papai Noel Brasileiro, conhecido por Vovô Natalino, para um auto de natal com as características da região.

 No ano de 2002, Zé do Carmo foi agraciado com o título de Patrimônio Vivo da Cultura de Pernambuco.

Texto escrito por Manuela Guedes

One Comment on “ZÉ DO CARMO, PATRIMÔNIO VIVO DA CULTURA PERNAMBUCANA

  1. O poder público, municipal, estadual e até o federal, deveria dar o devido valor ao cidadão, ao artista pernambucano Zé do carmo. Se possível enquanto vivo, pois com seu talento e arte enriquece, divulga e orgulha a cidade de goiana, o estado de Pernambuco e o Brasil. É muito triste conhecer pessoalmente o artesão zé do Carmo, olhar e gestos tristes, magoado, contrastam com suas obras, alegres e coloridas.Apelo para os poderes públicos, realizarem o ultimo sonho dele, transformar seu atelier em museu, assim perpetuará suas obras.
    jose carlos de carvalho/morador de goiana, PE

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