LAGOA DO CARRO

Bastante famosa por seu Museu da Cachaça e pelos tapetes bordados, Lagoa do Carro é uma cidade finalmente autônoma em1991, pois no início dos anos sessenta havia sido sede de município, mas perdeu essa situação após o golpe militar de 1964.

Possivelmente os primeiros não índios a chegarem na região que fica entre os rios Capibaribe e Tracunhaém foram os padres jesuítas que ali estabeleceram uma capela em honra da Senhora Santana e teriam fundado os engenhos Terra Vermelha e Alagoa. Mas também devemos considerar que alguns colonizadores subiram o rio Tracunhaém em busca de madeira para fazer caixas que carregavam o açúcar produzido nos engenhos.

No tempo da invasão dos holandeses a região deve ter recebido alguns fugitivos, pessoas que não queriam arriscar a vida em uma guerra, escravos fugidos e outros. A Guerra dos Mascates, entre Olinda e Recife levou para a região o capitão Francisco Cavalcanti de Albuquerque Vanderley. Eram 1710. Nessa época a freguesia pertencia a Igarassu. No ano de 1735, o sargento-mor João de Amorim fez doação de um terreno para a construção de uma capela em honra de Nossa Senhora da Soledade, que até hoje é a padroeira do local. A doação foi feita para agradar dona Ana Izabel, esposa do sargento. No ano de 1833 passou a ser parte de Nazaré.

Inicialmente, por causa da capela construída pelos jesuítas o lugar era conhecido como Lagoa de Santana, isso por causa da lagoa ali existente. Também havia um olaria para a produção de tijolos e telhas, aproveitando o barro vermelho. Telhas e tijolos eram trans portados em carros puxados por bois. Conta-se que, um desses carros, por descuido do carreiro, deslizou da estrada que ficava perto da lagoa e foi parar no fundo da lagoa. Ninguém jamais encontrou o carro e os bois, mas desde aí o lugar deixou de ser chamado por Lagoa de Santana para ser Lagoa do Carro.

Espaço dominado pela cultura da cana de açúcar, nos anos setenta do século passado, um grupo de mulheres resolveu se dedicar a fazer tapetes. Essas mulheres foram ao Recife, aprenderam a arte de bordar tapetes e repassaram o seu saber a muitas outras, que se organizaram em associações e cooperativas. Hoje a produção de tapetes é uma referência e identidade de Lagoa do Carro. Os desenhos geométricos criados e mantidos pelas tapeceiras já recebeu  estudos e análises do Departamento de Expressões Gráficas da Universidade Federal de Pernambuco.

Como dissemos acima o Museu da Cachaça é um espaço a ser visitado por todos, após conhecer as associações das tapeceiras. E, não podemos esquecer que em Lagoa do Carro hoje é importante mencionar o Grupo EnCena Teatro e Animação da Escola Estadual Doutor Francisco Siqueira, além dos poetas Cícero Antonio e Judite botafogo  e os Maracatus de Baque Solto Estrela de Ouro de Lagoa do Carro; Leão Dourado de Lagoa do Carro; Leão Vencedor de Lagoa do Carro; Leão do Norte de Lagoa do Carro; Leão Formoso de Lagoa do Carro; Burra Vencedora de Lagoa do Carro e Estrela da Tarde

Pesquisado e Escrito por Severino Vicente da Silva

Fontes: Retrato de um Povo, de Cícero Andrade; IBGE, Pernambucânia, de Homero Fonseca.

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