O MASSACRE DE TRACUNHÁEM

A formação de um povo, de uma nação é repleta de acontecimentos alegres e tristes. Vamos conversar sobre uma história que está envolvida com romance, raiva, guerra e mortes. Um acontecimento que marcou o início da formação de nossa região. Nela encontramos amor, confiança, amizade, traição e ódio.

 Os rios  foram caminhos para a penetração do europeus na direção dos sertões da terra a que chegaram em no início do século XVI. O Rio Tracunháem, que tem uma de suas nascentes é em Casinhas e segue até Goiana, formando um percurso de 127 quilômetros,  foi uma dessas estradas, em cujas margens os portugueses foram construindo seus engenhos, plantando a cana de açúcar. A Capitania de Itamaracá cujo donatário Pero Lopes de Souza morreu em combate na defesa dos interesses da Coroa portuguesa, não alcançou sucesso imediato por conta da ausência de uma administração central e forte, como aconteceu com a sua vizinha Pernambuco.

Em um dos engenhos construídos próximo ao rio ficou famoso por conta de um massacre realizado pelos índios potiguares contra  a família de Diogo Dias. A história desse massacre vem um pouco de traz. Um mameluco, ou seja um dos primeiros brasileiros resultante da união entre europeus e índias, chegou até a aldeia Cupaóba dos índios potiguares, na região que hoje é Paraíba. A tribo era comandada por Iniguassu. O mameluco foi bem recebido, tendo inclusive recebido uma das filhas de Iniguassu como esposa, foi a bela Iratembé, Lábios de Mel. No acordo do casamento, o mameluco deveria ficar na tribo, mas, aproveitando uma ausência de iniguassu, ele fugiu levando a bela Iratembé.

Iniguassu, então enviou dois de seus filhos até Olinda para recuperar a sua bela Iratembé, o que conseguiram, por conta da decisão do governador Antonio Salema. Retornando para sua tribo, os índios pernoitaram na casa de Diogo Dias, no engenho Tracunhaém. Na manhã seguinte descobriram que Diogo Dias escondera Iratembé e recusava-se a devolver a índia. Seus irmãos seguiram viagem e chegaram a aldeia Cupaóba sem ela. Algum tempo depois, os potiguares formaram um exército de cerca de 2000 índios e dirigiram-se para Tracunhaém, mas não se deixaram ver na totalidade de suas armas. Julgando serem poucos os índios que os atacavam, os defensores do engenho saíram para a luta e viram-se envolvidos por uma multidão. Toda a família de Diogo Dias, com exceção de duas pessoas que estavam em Olinda, foi morta. Os Potiguares ainda atacaram outros engenhos da capitania de Itamaracá, e se diz que morreram 614 colonos. Esse massacre foi uma das razões para a criação da Capitania Real da Paraíba, diminuindo a Capitania de Itamaracá que passou a ser administrada por Pernambuco.

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

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