A ALGODEIRA DE TIMBAÚBA, PE

Embora a Zona da Mata seja caracterizada pela plantação da cana e produção de açúcar, e assim aprendemos desde cedo em nossas escolas, a realidade de nossa história é bem mais diversificada. Hoje dominante na região, o cultivo da cana de açúcar teve que dividir espaços com outras culturas, como é o caso da lavoura branca, ou seja: mandioca, macaxeira, inhame, além das fruteiras, do café e especialmente do algodão.

No final do século XIX o Nordeste do Brasil tornou-se um grande produtor de algodão, substituindo os Estados Unidos da América do Norte no fornecimento dessa fibra para as indústrias inglesas. Foi um momento muito bom para os pequenos e médios proprietários que passaram a plantar algodão, que sempre foi cultivado mesmo antes da chegada dos portugueses em 1500. Muitas cidades de Pernambuco cresceram com o Algodão. Na Zona da Mata Norte, Timbaúba foi uma delas

A produção de algodão na região promoveu um surto industrial e, em 1910, em Timbaúba foi construída uma unidade de beneficiamento de algodão, que ficou conhecida como a ALGODOEIRA de Timbaúba, de propriedade da firma PINTO ALVES & CIA, a FIAÇÃO E TECELAGEM DE TIMBAÚBA. Localizada na Rua Marechal Dantas Barreto, nº 226, a Algodoeira comprava o algodão de pequenos produtores, garantindo a sua sustentabilidade e, também garantia empregos à população e impulsionava o comércio de Timbaúba e da região. Era conhecida como Algodoeira, um nome mais popular de ficar conhecido. Ela absorvia a produção de algodão da região e o beneficiava com seu motor de 40 HP de potência e sua capacidade bastante considerável era de25.000 kgdiários, tinha 4 descascadores e 80 serras e nela trabalhavam 6 operários.

A empresa multinacional denominada Sociedade Algodoeira do Nordeste – SANBRA, comprou a Fiação Tecelagem de Timbaúba. Nos anos setenta a SANBRA tornou-se a Bungue saiu do Nordeste.

Atualmente a Algodoeira está desativada, mas o prédio onde funcionou ainda está intacto e reparado; seu atual proprietário é o comerciante conhecido como “Nelson do feijão”, que o colocou à disposição para aluguel.

O prédio da Algodoeira é um Monumento da Memória de Timbaúba e de nossa memória e de nossa história.

Texto escrito por:

Luiz Cláudio Farias, Mestrando em História – UFPE

Severino Vicente da Silva, PhD em História, UFPE

3 Comments on “A ALGODEIRA DE TIMBAÚBA, PE

  1. Valorizar os monumentos que fazem parte da memória da cidade é preservar nossa memória.

  2. Parab.ems!!!por mostrar os valores,histolria e importancia dos municipios da zona da mata norte.

  3. Luiz Claudio e Severino Vicente, parabéns pela preocupação destes valorosos timbaubenses pelo empenho de trazer a memoria e a historia da nossa Timbaúba. Temos muitas historias e memorias a serem resgatadas e passada para nossa gente e em especial para a nossa juventude.
    É preciso ficar vigilante para com o nosso patrimônio histórico, evitando serem delapidados, destruídos em nome do desenvolvimento. Estes crimes vem ocorrendo, até mesmo, na capital do nosso estado, diante da ganancia dos grandes empreendedores, que preferem os gordos lucros financeiros em detrimento da cultura e da historia construída por centenas de anos. Parabéns e um forte abraço.

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