JOSÉ DA COSTA LEITE

No ano de 1955, o poeta José Costa Leite escolheu Goianinha para ser o seu novo endereço. Hoje Goianinha é Condado e Costa Leite, cordelista famoso é reconhecido como Patrimônio Vivo da Cultura de Pernambuco.

Costa Leite nasceu em julho de 1927, na cidade de Sapé, na Paraíba. Enquanto seu pai viajava constantemente por ser cambista, sua mãe ficava cuidando da casa, das crianças. Essas viagens levaram a família a mudar-se para Itambé, mas em Camutanga seu pai foi morto e a família ficou sob a orientação do irmão mais velho, voltaram a morar na Paraíba. Tempo difícil e de constantes mudanças, pois o Paulino Filho tinha uma jeito de cigano, sempre procurando um novo lugar para morar. Quase não dava tempo de colher as macaxeiras e o algodão que a família plantava para vender nas feiras e garantir seu sustento. Cortando cana em engenhos, cultivando mandioca, macaxeira, milho e algodão, cresceu o menino José Costa Leite ouvindo vendedores de folhetos nas feiras cantando romances.  Quando sua mãe, Maria Rodrigues dos Santos, morreu, Costa Leite estava com a idade de 20 anos e resolveu que sua vida ia ser a poeta vendedor de poesias nas feiras de Pernambuco e Paraíba. Era o ano de 1947.

Costa Leite não estudou em nenhuma escola, mas aprendeu a ler ouvindo e vendo os folhetos com muita atenção. É que os versos dos folhetos diziam coisas do dia a dia. EDUARDO E ALZIRA , uma historia de amor foi uma das primeiras criações do poeta das feiras de Goiana, Itambé, Nazaré da Mata, Pedra de Fogo, Juripiranga e outras cidades. Mas ele se apaixonou por Condado, e ele canta em um dos seus folhetos:

“Na lavoura vive em paz / Planta muito e tem lucrado / lavoura no seu roçado / e canta dizendo loa / quem gosta de terra boa /só quer morar em Condado.

Mas o poeta Costa Leite se tornou homem de muitas artes e aprendeu a fazer xilogravuras para embelezar os folhetos de suas poesias. A primeira xilogravura foi para o folheto O RAPAZ QUE VIROU BODE. Entre os seus folhetos tem uma peleja na qual ele enfrenta Manuel Vicente, cada um defendendo um tema. Costa Leite cantava no mote “se não caso perco a vida” e Manuel Vicente retrucava com “eu morro e não caso mais”.

Além da xilogravura, da poesia dos folhetos e dos romances, José Costa Leite faz previsões astrológicas em seus almanaques, que vem publicando desde 1959. Na época o almanaque era chamado de Calendário Brasileiro, e contém informações sobre as culturas, época de cultivo, posição dos astros e outros assuntos de interesse.

A poesia de Costa Leite ultrapassou os limites de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil, pois sua obra é objeto de estudos em universidades da França, país que já recebeu este poeta da Zona da Mata para ouvir as suas recitações, admirar as suas telas de xilogravuras.

José da Costa Leite é condadense por opção e prazer é orgulho do povo da Mata Norte e Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Fontes:

AMORIM, Maria Alice. Patrimônios Vivos de Pernamnbuco. Recife: FUNDARPE, 2010.

CABRAL, Geovanni Gomes. José Costa Leite: um poeta, um xilógrafo, um editor e várias histórias. Mimeo não publicado, 2012.

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *