FERREIROS

A cidade de Ferreiros é uma cidade fronteiriça a Timbaúba, Camutanga, Itambé e Aliança e hoje é muito conhecida por causa de ter, entre seus artesões, famosos criadores de Rabeca, instrumento de grande valor, no passado e nos dias de hoje, por ser  muito instrumento criador de festas desde o tempo em que as noites eram mais longas e mais escuras. Mas eram noites alegres ao som da rabeca tocada por Fabião, pelo Cego João Oliveira, Mané Pitunga, Zé Nanô, Seu Manu, Luis Soares e Didiu. Fabião, cujo nome completo era Fabião Hermenegildo Ferreira da Costa, nasceu escravo no Rio Grande do Norte no ano de 1850. Em 1888 comprou sua liberdade, diz a lenda, mas pode ter sido libertado pela Lei Áurea e, livre, viveu da arte de tocar rabeca até 1928.

A tradição dá conta que o nome Ferreiros veio por que, no século XIX havia muitos ferreiros no povoado conhecido como Carapateiras. As terras teriam pertencido a um Henrique David que, dizem, vez por outra atirava em alguém, só para experimentar a arma ou a pontaria. Isso acontecia no período em estavam sendo criados os Engenhos Centrais e as usinas, e também estava acabando a escravidão no Brasil.  Importa mais lembrar que naquele tempo os engenhos de cana de açúcar começavam a trabalhar com equipamentos de ferro e, quando eles quebravam, ou precisavam consertar is tachos  ou alambiques, tudo era posto em carros de bois e levados para os ferreiros de Carrapateira. As pessoas iam aos ferreiros e assim o lugar mudou de nome.

No lugar foi construída uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, no mesmo ano em que foi proclamada a República, 1889. Este acontecimento e o fim da escravidão deve ter feito aumentar a população do povoado. Parte do que é hoje Ferreiros fazia parte de Camutanga, mas em 1948 passou a ser Distrito de També. Em 20 de dezembro de 1963 foi desmembrado de També e passou a ser município, constituído apenas pelo distrito sede. O primeiro prefeito foi José Honório da Silva, nomeado PE,ló governador Miguel Arraes de Alencar.

Como vimos acima, a religião católica acompanhou o crescimento de Ferreiros, e até 2006 a cidade fazia parte da paróquia de Timbaúba. Naquele ano, no dia 13e de maio, o bispo D. Jorge Tobias, instalou a Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Ferreiros.

A riqueza da cidade é produzida principalmente pela agricultura e seus principais produtos são Abacate  banana  coco aa baia, laranja Manga Maracuja, Amendoim Batata doce  Cana de Açúcar fava Feijão Mandioca Milho. Mas é uma cidade rica no artesanato de Renda, Bordado, crochê e arte em madeira. Entre o que é entalhado está a Rabeca. Manoel da Rabeca é o nome atual de rabequeiro da cidade. A rabeca é um instrumento básico na dança do Cavalo Marinho, e em Ferreiros o nome a ser lembrado e que está atuando no momento é o Mestre Inácio Lucindo da Silva. A rabeca é também um instrumento importante nas apresentações dos teatro de Manulengos, mais conhecidos na região como Babau.

Uma das mais interessantes brincadeiras da cidade é a La Ursa, que parece ser uma modalidade diferente das La Ursa de outras cidades. Essa brincadeira que vem da Europa trazida pelos ciganos, costumeiramente é apresentada em um pequeno teatro com um Urso acorrentado acompanhado por um caçador e uma pequena banda formada por Sanfona, Triângulo, Bombo, Reco-reco e Pandeiro, mas em Ferreiros a La Ursa apresenta-se sem o caçador e com homens vestidos com estopa que lembra pele de urso – calça e camisa-, mas sem a cabeça do urso, pulam a dão cambalhotas, ao som de Tarol e Caixa. Essa é uma das peculiaridades da cidade de Ferreiros, a Terra da Rabeca.

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

One Comment on “FERREIROS

  1. A antiga capela de Nossa Senhora da Conceição do Município de Ferreiros-PE (que foi distrito de Itambé) não podemos afirmar com certeza a data de sua construção, porém, com certeza, no ano de 1886 foi realizada uma grande festa por ocasião da inauguração de uma grande reforma realizada na referida capela. Diante deste fato o Jornal Diário de Pernambuco publicou este evento religioso no ano de 1886 e republicou esse fato, cem anos depois, no ano de 1986, portanto, esta data da construção da capela de ferreiros merece uma correção, na verdade não foi em 1889.

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