“MARINHEIRO”, HERÓI DE TEJUCUPAPO

Localizado a 35 quilômetros da sede do município de Goiana, Tejucupapo é um distrito que parece ter vida própria, quase uma cidade com seus próprios motivos de fama. A cada ano somos convidados a lembrar um acontecimento guerreiro que envolveu os moradores da vila de Tejucupapo no tempo em que holandeses tentaram manter domínio sobre as capitanias de Pernambuco e Itamaracá.

A famosa saga das Mulheres de Tejucupapo agora nos é apresentada em um teatro exatamente no local em que soldados batavos foram derrotados pela ação das mulheres Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina que souberam organizar e lutar criativamente, surpreendendo os invasores do local.

A valentia e a criatividade desse local continua nos atuais habitantes que lutam, não mais contra o invasor, mas para continuar a construção de suas vidas. Quem visita Tejucopapo surpreende-se com a beleza singela da Igreja de Nossa Senhora do Rosário que tem em sua praça uma escultura de uma mulher que, além do facão, carrega na cabeça uma cesta de vime, talvez carregada de sururu e outros moluscos catados na praia de Carne de Vaca.  Essa é uma das atividades econômicas das mulheres da região.

Mas há outras histórias a serem contadas naquele distrito. Mais modernas e giram em torno da luta para o vilarejo assumir a sua vocação de quase cidade. Essas histórias giram em torno de Severino Ramos de Souza, mais conhecido como “Marinheiro”. Nosso programa ainda sabe pouco sobre “Marinheiro”, mas sabemos que no ano de 1936 ele fundou o Trincheira Futebol Clube, com o objetivo de congregar a população e fazê-la senhora de sua história. Poucos clubes são possuidores de tão larga tradição que inclusive pode ser visitada em sua sede na rua do Rosário, a mesma onde está localizada a Igreja e a praça em homenagens às bravas mulheres do lugar.

Mas Severino Ramos de Souza, o “Marinheiro” tem seu nome ligado ao Cine Brasil que ele pôs a funcionar à base de energia produzida por motor alimentado a diesel, ainda no ano de 1960. Depois a sua luta foi convencer que Tejucupapo deveria ter energia elétrica, conseguindo tal feito no ano de 1965.

A gente simples, criativa, lutadora como Severino Ramos de Souza, chamado por todos de Marinheiro, embora não estejam mencionados nos livros escolares fazem a verdadeira riqueza e a história de nossa região, ainda que seu nome fique guardado na memória de poucos.  Marinheiro morreu no ano de 1977, mas ele é um monumento de nossa história e que deve ser guardado em nossa memória, pois ele lutou contra a inércia e agigantou-se na criatividade para tornar o seu lugar,Tejucupapo, um espaço moderno, contemporâneo e com visão para o futuro.

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva, professor da Programa de Pós Graduação em história da UFPE

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