CONDADO

A ocupação europeia dos territórios da Mata Norte ocorreu a partir de Goiana e essa penetração não ocorreu de maneira simples, conforme nos atesta a invasão e destruição do Engenho Tracunháem que pertencia a Diogo Dias pelos índios potiguares. Por outro lado foi apenas após a expulsão dos holandeses que os descendentes dos primeiros portugueses conseguiram alcançar algum domínio sobre as chãs e as terras altas da região. Por isso é que a maioria dos estudos apontam, mas sem maiores detalhes, que a ocupação do que hoje conhecemos como a cidade do Condado começou no século XVIII.

Havia na região um engenho com o nome de Condado, cujo proprietário ou rendeiro era conhecido como de Joaquim Bezerra Pereira de Lira. O nome do engenho refere-se também a um rio da região. O povoado teria crescido em torno desse engenho e pertencia a Goiana. As tropas da Confederação do Equador, lideradas por Frei Caneca transitaram pelo povoado quando iam em direção do Engenho Poço Comprido. A população cresceu após a destruição dos Quilombos de Malunguinho. A expulsão de Dom Pedro I, ou seja a sua renúncia ao governo do Brasil, provocou muita ansiedade e pequenos proprietários uniram-se a moradores, índios e escravos contra os grandes proprietários. O lema dos revoltosos era o retorno de Dom Pedro I ao Brasil. Essa guerra ficou conhecida como a Guerra dos Cabanos porque os revoltosos viviam em cabanas construídas no meio do mato. Quando alguns revoltosos chegaram a Goiana, em 1835, os legalistas dirigiram-se para o povoado do engenho, que passou a ser chamado de Goianinha.

Em 1870, a doença que hoje conhecemos como Varíola eras chamada de Bexiga. Naquele ano, Goianinha, como outros povoados, sofreu com a doença. A população, muito religiosa, se uniu em orações e promessas para que São Sebastião protegesse a população do mal. A derrota da doença fez de São Sebastião o padroeiro do Povoado, o que não impediu que em 1934 fosse criada a Paróquia de Nossa Senhora das Dores do Condado .

O povoado foi elevado a vila em 1896 e, por indicação de Mário Melo, o Distrito Goianinha recebeu o nome de Condado no ano de 1943; finalmente no ano de 1958 foi feito município.

A vida econômica de Condado sempre esteve ligada ao cultivo da lavoura da mandioca, Batata Doce, Abacate, Laranja, além da Cana de Açúcar, que atualmente vem se impondo como principal cultura. Atualmente a atividade condadense que vem chamando atenção de todos é a cultura do Cavalo Marinho que tem mantido mestres como Antonio Teles e Biu Alexandre. Além do Cavalo Marinho, em Condado podem ser encontrado o Maracatu de Baque Solto, a Ciranda, e outros folguedos criados pelo povo simples para a sua diversão e que mostra a sua riqueza e a sua criatividade. E isso sem esquecer a Banda Filarmônica 27 de Julho, que se mantém em atividade desde 1905 e é orgulho da Cidade e da região.

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

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