CARPINA

Uma característica da Mata Norte de Pernambuco são as terras altas e planas que se elevam dos vales. É nesses terras altas e planas que se formaram muitas cidades, hoje sede de municípios. Geograficamente ficaram conhecidas como CHÃS. Uma dessas é conhecida como Chã do Carpina e está localizada cerca de 50 quilômetros ao norte do Recife. A guerra de independência dos Países Baixos contra a Espanha provocou a invasão dos holandeses a Pernambuco no ano de 1630. Aproveitando a confusão da guerra, muitos escravos fugiram dos engenhos para o interior de Pernambuco e também muitos homens livres que não possuíam terras e engenhos. Essa deve ter sido uma das maneiras de ocupação do interior. Essa interiorização aumentou após a expulsão dos holandeses em 1654 e, é por essa época que deve ter começado a ocupação da Chã do Carpina. Essas terras pertenciam, então, à Capitania de Itamaracá.

            Naquela época a principal riqueza produzida em Pernambuco e que interessava aos portugueses e europeus era o açúcar. Produzido em quantidade o açúcar era transportado em caixas de madeira e, uma profissão importante era a de Tanoeiro, ou seja Carpinteiro. No início do século XIX já era grande a necessidade de caixotes, muitos construídos artesanalmente na Chã do Carpina, onde via o tanoeiro Martinho Francisco de Andrade Lima.

            Ao almocreves, que também eram chamados de tropeiros, porque transportavam mercadorias em tropas de burros, sempre passavam pela Chã do Carpina e diziam que aquele era um bom lugar para moradia, que o clima era bastante saudável, além de ficar próximo da capital da província. Algumas famílias que viviam no litoral e possuíam terras na região passaram a escolher a Chã do Carpina como residência de verão, somando-se aos moradores locais. A modernização do final do século XIX promoveu a implantação das usinas e da linha de ferro da Great Western que ligava o Recife a Limoeiro e a Chã do Carpina recebeu uma estação intermediária.

Chã do Carpina, no início do século XX passou a ser conhecida como Floresta dos Leões. Essa denominação é uma homenagem a João Souto Maior, líder da Revolução Pernambucana de 1817, que, por sua bravura e coragem recebeu o apelido de Leão de Tejucupapo. Após um enfrentamento com as tropas legalistas, João Souto Maior e seguidores refugiaram-se na Chã do Carpina. Assim, em 1901, quando Chã do Carpina passou a condição de Distrito do município de Paudalho. Lei de 1928 cria o Município de Floresta dos Leões, definitivamente instalado no Ano de 1931, com dois distritos: Floresta do Leões e Lagoa do Carro, com terras desmembradas de Paudalho e Nazaré. No ano de 1948, por determinação legal Floresta dos Leões volta ao seu nome primeiro: Carpina. Os ventos políticos de 1963 levam Lagoa do Carro à condição de Cidade e Carpina passa a ser formada apenas pelo distrito sede. Porém essa situação dura apenas até setembro de 1964, com o retorno de Lagoa do Carro à condição de distrito de Carpina. Nova modificação política ocorre em 1979 quando a sede municipal é transferida para Lagoa do Carro, sendo Carpina seu distrito. Essa situação sofre mudança em 1991: Carpina retoma a sua autonomia, voltando a ser município apenas com o distrito sede.

Com cerca de 75 mil habitantes, Carpina tem uma pecuária ativa e diversificada, contando com bovinos, equinos, muares, caprinos; uma agricultura permanente com bananas, mamão, coco da baía, limão e maracujá, além de manter uma lavoura temporária de batata doce, feijão, mandioca, milho e cana de açúcar.

Mas há outra riqueza nesta terra dos leões: a ciranda de João Limoeiro, os seus caboclos que formam o Maracatu Leão Brilhante, Leão da Serra, Leão de Ouro, Leão devorador da Floresta, Cambindinha Dourada, Leão Vencendor, Águia Dourada

Texto escrito por: Severino Vicente da Silva

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