MAURO MOTA

“Vinha dos Banguês a doçura do ares/

A doçura do mel de engenho com farinha/

Das novenas /

Da flauta de Targino/

Do Piano de Celina/

Doçura do Xarope Peitoral Nazareno,

infalível na cura das tosses rebeldes e da tuberculose pulmonar”

É assim, nos versos de Doçura Nazarena que um dos intelectuais mais importantes do Século XX, em Pernambuco, canta sua infância em Nazaré da Mata. Mauro Mota: foi Poeta, cronista, geógrafo, folclorista, jornalista e gestor de instituições culturais.  Nascido Mauro Ramos da Mota e Albuquerque, em 11 agosto de 1911, no Recife. Apesar de ser recifense por nascimento, viveu seus primeiros anos de vida em Nazaré da Mata, uma Nazaré provinciana que ele descreveu em belas paisagens nos seus poemas.

Mauro Mota começou seus estudos no Colégio Dom Vieira, em Nazaré, depois, no Colégio Salesiano, em Recife, onde, incentivado por Álvaro Lins, começou escrever seus primeiros poemas e a trabalhar nos jornais da capital. Em 1937, formou-se em Direito, mas dedicou-se ao jornalismo.

Em 1952, publicou seu primeiro livro de poesias chamado Elegias. O livro foi muito elogiado e recebeu prêmios da Academia Pernambucana e da Academia Brasileira de Letras e já traz as marcas da poesia de Mota, que é conhecida por ser um mergulho lírico nos lugares e pessoas da memória do poeta. Memória que remete muitas vezes as ruas e a casa que ele viveu em Nazaré. A casa que ele chama de “ninho de lembranças”. Publicou também Os epitáfios, O galo e o cata-vento, Canto ao meio e Itinerário e firmou-se como um dos nomes da chamada Geração 45 da literatura pernambucana. Era um poeta regional assumido, falava da Zona da Mata, do Recife, de Pernambuco, mas com isso, falava também do mundo, dos problemas sociais, dos sentimentos de um homem do meio do século XX. Chamado de “Poeta Poetíssimo” pelo sociólogo Gilberto Freyre, ele foi membro da Academia Pernambucana de Letras e, na década de 70, membro da Academia Brasileira de Letras.

                Além de se dedicar à poesia, Mauro Mota chegou a escrever diversas Crônicas, publicou também estudos sobre folclore, geografia e sociologia regional, a exemplo de O cajueiro nordestino; Paisagem das secas; Capitão de fandango; Os bichos na fala da gente e Geografia literária.

                Ao falecer aos 73 anos, vitimado por um câncer, em 22 de novembro de 1984, Mauro Mota deixou uma vasta obra, elogiada pela crítica e amada pelo público. Uma obra que ainda é pouca publicada nos dias de hoje.

                No ano passado, em seu centenário, Mauro Mota foi homenageado na Bienal do Livro de Pernambuco. O evento serviu de ponto de partida para que seja dado início ao regaste do seu legado poético. A poesia de Mauro Mota é um registro poético da zona da mata que vive no coração do poeta e que vive também no coração da gente daqui. É memória. É monumento da nossa memória.

REFERÊNCIAS

GUSTAVO, Paulo. Mauro Mota. Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 6 jun. 2012.

NETO, Moisés. Mauro Mota: Estudos Literários. Disponível em:<http://www.moisesneto.com.br/mauromota.pdf.> Acesso em: 7 jun. 2012.

CORRÊA, Thiago. Mauro Mota: Os 100 anos do Poeta Poetíssimo. In: Revista da VIII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.  Recife, 2011

Texto escrito por: Cássio Uchoa

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