Serra de Trapuá

A Serra de Trapuá é um importante monumento do relevo e guarda muitas histórias da nossa região. A Serra faz parte das terras do Engenho Trapuá, em Tracunhaém, e fica a 3,5 quilômetros do cruzamento da BR-408 com a PE-41. Cravada no meio de vastas terras dedicadas ao cultivo da Cana-de-açúcar, a Serra tem apenas 100 metros de altura, mas é presença marcante na paisagem da região. A sua vegetação hoje é tomada por uma mata com sinais de degradação, tanto em suas encostas como em seu topo.

            No cume da Serra, foi erguida pelo proprietário do Engenho Trapuá, em 1950, uma Capela em honra à Nossa Senhora de Santana. O interessante é que o sino da capela traz os nomes de João e Lourdes gravados, uma homenagem aos donos do engenho: João da Costa Azevedo e sua esposa Maria de Lourdes Azevedo. Da Capela, temos um belo mirante da região, onde é possível avistar as cidades vizinhas. Além da beleza natural do lugar, o engenho é repleto de lendas e de causos que enriquecem ainda mais a sua história. Próximo à Capela, existe um pedra com as inscrições “Proibido destruir, protegido por Lei”, quem visita o lugar, entende perfeitamente o porquê do aviso.

            A magia que envolve a Serra de Trapuá, encanta muita gente, entre elas o poeta pernambucano, João Cabral de Melo Neto, que, em carta enviada da Espanha, expressou sua vontade de ser enterrado no alto da Serra. Na carta, ele explica o motivo de seu pedido assim: “Considero um privilégio para qualquer pernambucano ser sepultado numa posição daquelas, de onde se tem a impressão de descortinar toda a paisagem pernambucana”. O pedido do poeta até hoje não foi cumprido, devido a burocracia e ao desejo da família. O poeta Marcus Acioly, amigo de João Cabral, defendeu que os restos mortais do poeta fossem levados a Trapuá e lá fosse construído um memorial para simbolizar a paixão de João Cabral pelo lugar, expresso nos versos do poema Alto do Trapuá, a exemplo do trecho:

Já fostes algum dia espiar
do alto do Engenho Trapuá?
Fica na estrada de Nazaré,
antes de Tracunhaém.
Por um caminho à direita
se vai ter a uma igreja
que tem um mirante que está
bem acima dos ombros das chãs.
Com as lentes que verão
instala no ar da região
muito se pode divisar
do alto do Engenho Trapuá.

Se se olha para o oeste,
onde começa o Agreste,
se vê o algodão que exorbita
sua cabeleira encardida,

Se se olha para o nascente,
se vê flora diferente.
Só canaviais e suas crinas,
e as canas longilíneas
de cores claras e ácidas,
femininas, aristocráticas

            Em 1974, o Engenho Trapuá foi vendido à Usina Petribú, que até hoje administra as terras e inclusive agenda visitas de grupos em excursões pela região. Hoje a Colina resiste ao tempo e a descaso, mas ainda guarda a magia e as histórias que fazem da Serra de Trapuá, um monumento da nossa memória.

Fontes:

Texto escrito por: Cássio Uchoa

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