Cícero Dias

No ano de 1907 Cícero dos Santos Dias nasceu no Engenho Jundiá, município de Escada, a 53 quilômetros da capital do Estado de Pernambuco. Ele foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, cenógrafo e professor. Seu trabalho é considerado de tamanha importância que ele foi um dos poucos pintores brasileiros cujo trabalho se faz exposto no mundo inteiro. A fase inicial de seus estudos se deu em sua terra natal, mas precocemente ele foi morar no Rio de Janeiro, onde inicialmente estudou arquitetura, mas pouco tempo depois trocou-a pela pintura na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Em 1927 ele realizou sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro, mesmo assim não concluiu nenhum dos dois cursos, pois seu interesse em experimentar novas tendências o colocou em xeque com a parte conservadora da academia. Sendo assim, se desligou desta e passou a estudar por conta própria.

Mais tarde entra em contato com o grupo modernista e em 1929 colabora com a revista de antropofagia. No mesmo ano, ele voltou a sua terra natal e fez uma exposição em Recife, onde causou escândalo. Assim, Dias percebeu que o problema residia no preconceito e no conservadorismo em aceitar novas propostas. Após isso ele realizou três exposições no interior de Pernambuco e sua arte foi aceita pelo povo. Assim ele concluiu que o problema residia no modo de pensar da burguesia. Desvinculando-se da academia, ele obteve mais liberdade de expressão em sua arte.

No início da 2ª república (1930 – 1945) há uma mudança na direção da Escola Nacional de Belas Artes e com ela houve um processo de renovação, nem sempre aceito por todos os professores. Estes lhe criaram alguns problemas, resultando em sua demissão em pouco tempo. Mas no ano 1931 o diretor Lúcio Costa abriu inscrições para o salão anual não só para a academia, mas para todas as tendências de arte. Cícero fez uma tela com cerca de 20 metros. Nela pintou cenas comuns, infantis e até eróticas. O resultado foi à destruição de algumas obras dele, danos materiais e etc. Em 1937, ele executa o cenário do “battet” de Serge Lifar e Villa Lobos e expõe em coletiva de modernos em Nova Iorque. Participou do Salão de arte moderna em 1943. Expões em Londres, Paris, Amsterdam em Veneza e em tantos outros lugares. Faleceu em Paris, no dia 28 de janeiro de 2003, por falência de múltiplos órgãos.

 

Texto escrito por Paulo Vinícius da Silva, estudante de História na UFPE

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